2019 Mar de lá

2016 Sinal de fogo
RECORRENTE
Na narrativa desse trabalho está o espanto com a repetição dos atos e dos fatos. A falta de respeito, a dor, a violência e a agressão contra professores. O tormento é materializado pela mão que atira, pela forma da seta em espada que fere, pelas bolas de fogo e pelas expressões de meu rosto como participe dessas iniquidades.
As esferas vermelhas, em número de 60, presas por fios, fazem menção a duas datas. O cenário foi o mesmo e perto daqui. Eu não estava lá, mas chorei e também lastimei, me senti agredida e envergonhada. Não é possível não escutar, não ver, não é possível calar, pois cheira mal. Emboscada, paralisada, também vivi aflição, angústia, amargura e vexação e gritei: “Que não se repita!”. Por tempos, por um tempo, por metade do tempo, por quanto tempo?


Crédito fotográfico:
Marcello Kawase
Exposição Coletiva: Sinal de Fogo
Organização: Marília Diaz e Rebeca Pinheiro
Instalação de Marília Diaz: Recorrente
Técnica: Instalação cerâmica
Mãos com aplicação de feltragem; rosto representado cinco vezes em decalque cerâmico; três lanças em cerâmica vidradas a 1200ºC em atmosfera oxidante; 60 esferas vermelhas presas por fio de nylon e outras soltas no chão, vidradas a 980ºC.
Dimensões da instalação: 2,67m x 5mx 5m
2004 Múltiplas identidades
UMBILICADO
No relicário de terra, recinto especial para guardar coisa preciosa e de grande valor, repousa o coto umbilical mumificado. A extremidade proximal da qual se amputou uma parte é guardada para religar o que já foi uno, para aproximar e não deixar esquecer.
Por sua vez a cicatriz determinada pela queda do coto umbilical impõe a cisão e a unicidade. A sua reprodução em cerâmica vitrificada representa aquilo que Moran identifica “como frágil, alterável, pois um nada a deflora, a degradação e a morte surpreende-a, e nós a julgamos ou a queremos imortal.”
Marília Diaz






















